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Mais espaço para a cultura: como nasceu o nosso mezanino

há 12 horas
3 min de leitura

Chegar à Villa Sanhauá foi a realização de um dos nossos maiores sonhos: ter uma sede onde a gente pudesse ensaiar, realizar oficinas, guardar nossos instrumentos e construir uma rotina sem o medo constante de precisar sair dali.


Durante muitos anos, a Nação Pé de Elefante buscou um local para se estabelecer. Como o grupo nasceu na casa da mãe do Mestre Fernando, esse foi o primeiro lugar que abrigou as percussões e os poucos materiais para a confecção de novos instrumentos.


Depois de lá, vieram a Praça do Atacadão, onde hoje fica parte do Trevo das Mangabeiras; duas temporadas no Ilê Axé Xangô Ogodô e Tenda do Caboclo Sete Flechas; o Centro Cultural de Mangabeira Tenente Lucena; o Centro da Juventude; a Subprefeitura de Mangabeira; a Praça do Coqueiral (com os instrumentos guardados no terreiro); e a Associação de Moradores do Mangabeira VII. Entre as andanças, algo em comum: ter que sair por causa do “barulho dos tambores”.



Foi em 2018 que essa história começou a mudar. Por meio do projeto de revitalização da Villa Sanhauá, no Centro Histórico de João Pessoa, a Nação Pé de Elefante foi contemplada com um dos espaços destinados a iniciativas culturais. Deixamos esse lugar vulnerável de endereços provisórios e os tambores encontraram, finalmente, um lugar onde poderiam ficar, a Villa Sanhauá passou a ser a casa da Nação. 


Após tanta procura por um lugar onde pudéssemos permanecer, ter um espaço "nosso" mudou completamente a forma como a gente vive o Maracatu no dia a dia. A sede é onde a gente se encontra, produz, aprende e faz a cultura permanecer viva, mantendo atividades durante todo o ano e valorizando não só o maracatu de baque virado em si, mas também as tradições locais e os encontros que acontecem por meio da cultura.


Com o passar dos anos — já se vão oito nessa casa — cresceram as pessoas, as atividades e cresceu também o nosso acervo: instrumentos, figurinos, estandartes, documentos, materiais produzidos em oficinas e equipamentos passaram a ocupar cada vez mais espaço. O que antes parecia grande foi sendo preenchido pela história que a gente constrói diariamente.



Foi dessa necessidade que o mestre Fernando teve a ideia criativa para o projeto "Mais Espaço para a Cultura: Construção de Mezanino para Armazenamento de Materiais", realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE).


Um desafio dentro de um prédio histórico

O projeto foi desenvolvido com o apoio de profissionais da área da serralheria, engenharia, arquitetura e design de interiores, além de coordenadores da Nação Pé de Elefante. Os esforços se concentraram em chegar a uma proposta que atendesse às nossas necessidades e também se adequasse à nossa realidade: construir um mezanino dentro de um prédio histórico tombado sem impactar uma estrutura quase centenária.



Mais do que encontrar uma forma de ampliar nossa sede, o desafio era fazer isso respeitando um espaço que já carrega sua própria história.


Foram várias conversas e reuniões até chegarmos à solução encontrada: construir uma estrutura independente, que funciona mais ou menos como uma mesa de ferro, com quatro apoios no chão sustentando todo o mezanino e o piso travado na própria estrutura, sem transferir a carga para as paredes. A escolha das vigas em perfil I também buscou acompanhar o padrão estrutural já existente, garantindo confluência com as características da edificação.


Organizar também é preservar

Além da estrutura do mezanino, o projeto também incluiu a construção de móveis simples e a expansão da rede elétrica para ajudar no processo de organização do novo espaço e na melhor proteção do nosso acervo contra a poeira, a umidade e o desgaste provocado pelo uso cotidiano.


Com isso, instrumentos, figurinos, estandartes, documentos e materiais utilizados nas oficinas passaram a ter um lugar mais adequado para armazenamento, facilitando a organização da sede, liberando mais espaço no salão para ensaios, atividades de formação e eventos e tornando mais simples uma rotina que acontece durante o ano inteiro.


Um espaço que cresce junto com a nossa Nação

O mezanino resolveu uma necessidade prática, mas também marca mais uma etapa da nossa caminhada. Cada instrumento guardado ali, cada figurino organizado e cada material preservado ajudam a contar a história do Maracatu Nação Pé de Elefante e criam melhores condições para que essa história continue sendo construída.



A gente acredita que cuidar da estrutura onde a cultura acontece também é fazer cultura. Agora, com mais espaço para guardar nossa história, seguimos abrindo caminhos para tudo o que ainda está por vir.


 
 
 

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